E estamos de volta com mais uma edição da nossa coluna de análises, o The Walking Lines! Desta vez abordando diversos pontos de vista sobre o 2º episódio da 4º temporada “Infected”.
A ideia da coluna é proporcionar múltiplas visões e discussões mais aprofundadas. Lembrando que além das análises da equipe do site The Walking Dead Brasil, abrimos o espaço para todos os fãs da série criarem suas próprias resenhas para publicação. Não deixe de conferir os selecionados desta semana!
Sem tempo para sentir saudades

Por Lorraine Guimarães
Estou oficialmente extasiada com 4ª temporada de The Walking Dead. Tanto que ainda nem tive tempo de sentir saudade das baixas.
Infected começou em clima de terror, com tomadas tensas e mal iluminadas. Uma pessoa misteriosa alimenta os zumbis do lado de fora da cerca. No início parecia difícil descobrir o culpado, mas pelo desenrolar do episódio o meu voto vai para a pequena Lizzie, embora a obviedade me faça desconfiar um pouco disso.
A cena seguinte foi sombria e agourenta. O corpo de Patrick acometido pela estranha gripe que o matou, caminha pelos corredores da prisão, “decidindo” em qual cela entrar. O primeiro sortudo foi pego enquanto dormia, sem ter chance de se defender ou mesmo gritar. O silêncio da noite só era quebrado pelo som das mastigações e grunhidos baixos.
A infecção se espalhou entre as celas com velocidade e descrição, sem que ninguém percebesse além dos “sorteados”. Foi mais uma pequena amostra da fragilidade da prisão, e como a paz ainda está distante. Não seria interessante se todos simplesmente trancassem suas celas ou fizessem um controle melhor da saúde do grupo? Seria o mínimo, na verdade.
Instabilidade emocional

Por Bruna Evelyn Ribeiro - BelezaGeek
Uma coisa que me chamou a atenção nesse episódio foram as irmãs Mica e Lizzie. Eles mostraram perfeitamente através delas, a instabilidade emocional que toda essa situação pode causar, embora alguns não demonstrem mais isso, como a Beth no episódio passado. Não que já não tivesse sido mostrado antes (impossível esquecer o Rick doidão), mas no caso delas foi bem explícito. No momento inicial a Mica parece mais instável, enquanto Lizzie se mostra forte o bastante para querer colocar em prática o que a Carol ensinou. Mas em questão de segundos vemos Lizzie completamente desnorteada enquanto sua irmã mais nova tenta acalmá-la.
Mais um ponto para destacar é a reação da Michonne com o choro da Judith. Ela se incomoda tanto, de uma forma dolorida até, mas ao segurá-la em seus braços se derrete e chora, como se recordasse de algum momento do passado. Será que ela perdeu um filho?
Já o Rick que estava se recuperando bem de sua loucura, também demonstra um pouco de confusão de sentimentos quando a situação começa a complicar. Ele queria largar essa vida de matar zumbis para tentar viver da maneira mais normal possível. Estava dando certo, até as coisas mudarem. Dá pra notar quase uma luta interior quando ele precisa ajudar a matar os zumbis que estão derrubando a cerca. E tem também o momento que ele olha para os porcos, quase que se arrependendo de tê-los ali, ao mesmo tempo em que tem a idéia de utilizá-los para afastar os zumbis da cerca.
Carol também demonstra de forma sutil uma confusão de emoções. Primeiro se mostrando forte e chamando a Lizzie de fraca ao falhar no momento da morte do pai, mas depois quando está com ela e a Mica na cerca, a expressão sofrida que ela faz é de quem está sentindo falta de sua própria filha. Creio que o fato de ter perdido a Sophia foi o que impulsionou a Carol a ensinar as crianças a se defender. Afinal, se a Sophia tivesse sido treinada poderia estar viva ainda.
Luta pela vida

Por Bernardo Brum
O que é particularmente impactante, nesse início de temporada, é um certo enjôo do apocalipse qundo ele passa a durar tempo demais e aqueles que sobreviveram, foram às custas da morte violenta de vários outros. A luta por sobrevivência passou a ser uma existência condenada, onde momentos de inércia e absoluto horror compartilham porções consideráveis. Ao mesmo tempo, luta-se para manter as raízes humanas, os resquícios de civilização, mas ao mesmo tempo nunca se pode andar sem armas, não saber disparar ou matar é um suicídio e a tentativa de fugir da mera sobrevivência do nomadismo, através de plantações e criação de animais, jamais é um processo estável, definitivo. E como visto, tudo pode ir para o inferno facilmente.
Com Woodbury incorporada à Prisão, a humanidade luta para voltar a viver em sociedade – mas quando elementos básicos que nos permitem permanecer muito tempo em um mesmo lugar mostram-se instáveis, quando cercas não aguentam, quando porcos ficam doente, lentamente volta a terrível noção que, no mundo de Walking Dead, a sociedade desabou irrecuperavelmente. Os sobreviventes se fecham dentro de couraças com pontos sensíveis – Carol está dividida entre voltar a ser mãe e treinar um exército de pequenos soldados, Michonne, por trás da sisudez, revela uma perda irreparável, Carl parece oscilar numa disputa entre a frieza de um matador e a sensibilidade e o frescor de experiência de uma criança.
E Rick, um homem destroçado por dentro, pouco revela através de palavras. Mas através dos gestos, a tentativa de fazer tudo voltar a ser como era antes cria um peso cada vez maior em suas costas. Como um dos únicos personagens que compartilhamos essencialmente tudo através do ponto de vista, nós sabemos como é fragil o equilíbrio entre delírio, frieza e amor, fragilidade essa cada vez mais explícita.
Obviamente, para lembrar de tudo isso, eis que sugem os zumbis, após os tais trinta dias sem acidentes onde quase acreditaram em um futuro melhor. Mas aí surge a comida contaminada, uma gripe, um contágio, eis que surgem as fileiras de zumbis se amontando nas cercas, os ânimos se esquentam, figuras misteriosas sabotam a estabilidade do grupo alimentando os mortos-vivos…
Explorando a questão da higiene, do saneamento, das doenças que podem se espalhar feito um raio em um ambiente com uma variada fauna humana, novamente a série evoca a mortalidade, de como é fácil morrer, de como é difícil sobreviver… E como, uma vez sobrevivendo, se luta pela vida frente a circunstâncias trágicas e extremas.
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